Chegando ao Aeroporto de Congonhas no último sábado tive uma grata surpresa. A sinalização tátil de alerta, posicionada nos acessos das escadas, escadas rolantes e elevadores estava concluída. Maior surpresa foi constatar que foram utilizados elementos táteis ou, em outra palavras, sinalização tátil por elementos.


Confesso que como usuário frequente deste aeroporto andava meio chateado por ver que após uma longa e caríssima reforma e, apesar das leis federais que a regulamentam, a sinalização tátil não havia sido contemplada. Desta forma, milhares de usuários com algum grau de deficiência visual – incluindo cegos, idosos e todas as pessoas com mobilidade e/ou visão reduzida – corriam riscos ao se locomover pelas instalações do aeroporto.
E esse foi um caso típico em que o uso de elementos táteis viabiliza a adaptação de uma obra aos
padrões de acessibilidade, com pouca interferência na arquitetura ou até mesmo contribuindo para a estética da obra. Imaginem o transtorno que seria gerado – sem falar no desperdício de dinheiro público – se ao constatar que o projeto do aeroporto não estava em concordância com a legislação de acessibilidade, a Infraero optasse por quebrar novamente o piso e instalar a sinalização tátil. Outra opção bastante questionável seria a instalação de pisos táteis colados sobre o piso existente. Todo o investimento em arquitetura, funcionalidade e beleza correriam o risco de cair na vala comum do improviso.
Tenho que dizer que, apesar de enaltecer e apoiar toda e qualquer iniciativa de inclusão, a acessibilidade, o design, a estética e a funcionalidade podem e devem andar juntos. Porque a arquitetura inclusiva teria que ser feia ou pouco durável? Digo isso porque conversando com funcionários do Metrô de São Paulo, descobri que a sinalização tátil da maioria das Estações em que está instalada, precisa ser trocada semestralmente! Provavelmente os materiais utilizados não estão bem selecionados para o seu uso. Um exemplo do que estou falando pode ser visualizado no Skyscrapercity que mostra fotos do Metrô de Brasília. Todo o mérito para o projeto, mas que é esteticamente agressivo, isso é! Volto a dizer que de qualquer forma acho melhor fazer a fingir que o assunto não existe. O que não me impede de pensar que o design não precisa ser abandonado simplesmente em razão de sua função. Design é função e muito mais.
Isso tem me motivado a trabalhar sobre o tema. Em breve terei propostas de soluções funcionais e estéticas. Quem quiser contribuir será muito bem-vindo!

