Para quem já trabalha com acessibilidade e design inclusivo, talvez este post seja um tanto repetitivo. No entanto, vou me aventurar a explicar a minha visão particular sobre a nomenclatura que utilizamos no Brasil para designar certos componentes da Sinalização Tátil, uma vez que penso poder contribuir para a disseminação da informação.



Fonte: Site Seton Fonte: Site Placasonline Fonte: Site Uol
A Sinalização Tátil é apenas uma parte da Sinalização Ambiental Inclusiva, que por sua vez abrange diversas formas de comunicação tais como a sinalização visual, sonora e outras. Por sua vez a Sinalização Tátil inclui não somente a sinalização de pisos, mas também de todos os dispositivos de segurança ou não, utilizados na arquitetura tais como corrimãos, elevadores, banheiros e placas de identificação diversas e, até mesmo nos postes e placas de rua. Na maioria das vezes, estes elementos de sinalização tátil utilizam a Linguagem Braile para se fazer entender para as pessoas cegas ou com baixa visão. O veículo trandutor da comunicação para o ser humano poderá ser as mãos, os pés, ou artefatos usados para este fim (tais como bengalas ou próteses).
O princípio físico dos pisos táteis é baseado em ressaltos, com geometria definida – à semelhança da Linguagem Braile, que possam ser sentidos pelo tato e traduzidos em informação para o ser humano que caminha sobre eles. A geometria desses ressaltos (tamanho, altura e espaçamento) é estabelecida pela Norma ABNT NBR 9050.
É intuivo mas não totalmente correto dizer que a Sinalizaçao Tátil de Pisos, será sentida por meio dos pés, já que as bengalas e as próteses mais modernas também têm a capacidade de transmitir a informação. Além disso, existem pessoas com deficiências múltiplas, que podem usar outra parte do corpo ou outros artefatos para receber esta informação. Por isso, na minha opinião, o termo “piso podotátil” não pode ser considerado incorreto, mas ao mesmo tempo, limita o termo mais abrangente “piso tátil” por não considerar outra forma de comunicação senão os pés. Questão meramente semântica mas, é importante padronizar e, interessante notar que a falta de padronização indica uma certa falta de intimidade com esse tipo de produto. Desta forma, na minha opinião, o termo “podotáteis” deveria ser abolido, por limitar o conteúdo intrínseco do termo. Deveríamos utilizar simples e tranquilamento o termo “pisos táteis”.
Os pisos táteis são subdivididos em duas categorias conforme sua função: de alerta e direcionais. Os pisos de alerta indicam a iminência de obstáculos (no plano ou suspensos), mudanças de plano (tais como escada, degraus ou rampas) ou mudanças de direção. Já os pisos direcionais, como o próprio nome já diz, indicam o caminho a ser percorrido com segurança. Além disso são classificados em três tipos, conforme sua forma de aplicação:
a) Integrados: são instalados no mesmo nível do piso adjacente com argamassa ou cola. Em geral são instalados durante a construção. Em obras de adaptação, é necessário remover o piso existente para permitir a instalação no mesmo nível. São construídos em diversos materiais: aço inox (como no exemplo abaixo), concreto, cerâmica, polímeros, etc.

Piso Tátil Integrado de Alerta Piso Tátil Integrado Direcional

b) De sobreposição: em geral são colados sobre o piso existente com adesivo de contato e construídos em PVC ou borracha nitrílica.

c) Elementos Táteis Discretos: as bordas do piso deixam de existir. Os elementos em relevo são fixados diretamente sobre o piso adjacente. Construídos em Poliuretano, Aço Inox ou PVC, são instalados por meio de um furo no piso existente. Podem ser colados ou parafusados, com a vantagem de permitirem sua instalação sem necessidade de obras civis, sobre madeira, carpete ou sobre quase todo tipo de piso existente.

Nos próximos posts falarei um pouco mais sobre a regulamentação e características dos elementos táteis discretos.