Destacamos nesta semana o perfil profissional do Arquiteto Alexandre Rousset, que está atualmente trabalhando na concepção da nova cenografia dos telejornais da TV Minas (Rede Minas), utilizando pastilhas de inox colorido da Mozaik. A TV Minas é uma emissora estatal, de caráter educativo e cultural, integrada à Rede Cultura. Será nossa segunda experiência de trabalho cenográfico, a primeira televisiva. Anteriormente Alexandre especificou produtos Mozaik para compor o cenário onde foi fotografado o catálogo da estilista Tereza Santos (foto).
Com apresentação de Carol Garcia, conheça um pouco sobre o perfil deste profissional.

Cenógrafo, figurinista, designer de interiores… São muitas as etiquetas para talentos ainda mais variados. O currículo de Alexandre Rousset dá a volta na quadra, mas ainda diz pouco quando comparado com sua enorme capacidade de reinvenção de espaços. O arquiteto é daqueles que adora construir novos caminhos, seguro de que todo risco carrega recompensas. Olho no mundo, foco nos detalhes. Desvendando materiais inovadores, o moço fortalece conexões simbólicas e gera efeitos de sentido ímpares a partir de cenografias construídas com doses maciças de sensibilidade. Conheça suas novas peripécias!
Entrevista: Alexandre Rousset
Conte um pouco sobre sua trajetória profissional, incluindo a formação acadêmica. Como se iniciou o seu envolvimento com cenografia?
Formei-me em Arquitetura e Urbanismo em 1996 mas, mesmo antes da Faculdade, alimentava um interesse especial pela Cenografia. De lá até aqui, venho desenvolvendo trabalhos de Arquitetura, Arquitetura de Interiores e Cenografia.
Minhas primeiras experiências foram com Cenários para Teatro. Uma atenção particular voltada para a Moda e toda informação a ela relacionada, acabou por permitir que eu me envolvesse, também, com o desenvolvimento de Figurinos.
Sempre em parceria com Tereza Bruzzi, também arquiteta, tenho trabalhado ora com Cenários, ora com Figurinos e, muitas vezes, abordamos, em um mesmo espetáculo, as questões relativas aos dois universos.
Além dos trabalhos para Companhias de Teatro (a destacar: Grupo Galpão e Grupo Ponto de Partida), colaborei, entre 1998 e 2004, com Freusa Zechmeister no desenvolvimento dos Figurinos para os espetáculos do Grupo Corpo Companhia de Dança.
A partir de 2003, passei a desenvolver trabalhos de Cenografia para demandas mais específicas do território da Moda, como Cenários para Desfiles, para Catálogos e para Vitrines (Tereza Santos, Coven, Elisa Atheniense, Bárbara Bela, entre outras grifes).
Em 2005, passei a trabalhar, também, no desenvolvimento de Cenografia para Exposições, uma categoria particular do universo de trabalho de um cenógrafo chamada Museografia (Museu Histórico Abílio Barreto, Casa do Baile, Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG).
Fale um pouco sobre a experiência de ser selecionado para conceber os novos cenários da Rede Minas
Em 2009, surgiu a oportunidade de trabalhar com Cenários para Televisão.
Fui convidado, entre outros profissionais, para apresentar uma proposta de Cenografia para o Jornalismo da emissora.
Embora não tivesse, ainda, experiência com trabalhos para TV, desenvolvi um estudo propondo um Cenário que apresentava as pastilhas Mozaik como o principal elemento expressivo.
Esta proposta acabou por me fazer o profissional contratado para o desenvolvimento do Projeto.
O que diferencia a cenografia televisiva daquela utilizada no teatro e na moda?
Em todos estes territórios: casa, palco, passarela, museu e estúdio, o objeto em questão é o espaço e, por isto, sempre que se inicia um trabalho, me vejo diante de um desafio novo mas, de certo modo, ‘familiar’.
Por outro lado, cada um destes universos apresenta características específicas e demandas particulares que os tornam, em determinados aspectos, distintos uns dos outros.
A luz, por exemplo, é um elemento que sempre reconheço altamente determinante na qualidade de uma ambiência. Entendo que é através dela que se consegue potencializar a dramaticidade de um espaço, questão fundamental para a Cenografia.
No caso específico de um Cenário para Jornalismo de TV, é muito desafiador o exercício de adequação do Projeto à precisão necessária à iluminação dos apresentadores, comentaristas e entrevistados, sem perder os muitos efeitos que podem ser alcançados com uma iluminação mais dramática (claros e escuros, cores, nuances de tons, etc.).
As características e qualidades apresentadas pelos materiais utilizados na Cenografia para Jornalismo de Televisão (textura, opacidade, brilho, capacidade de reflexão) são, também, variáveis de enorme relevância no resultado que se pretende alcançar pois, ao contrário do Teatro (onde, muitas vezes, se consegue um efeito através de um artifício, de um ‘fingimento’), na TV todos os detalhes estão expostos de um modo altamente explícito, sobretudo em tempos de tecnologia digital de alta definição.
Porque escolher produtos Mozaik na composição de cenários? Que elementos são agregados a essa escolha?
Desde que conheci os produtos Mozaik, me impressionei com a capacidade expressiva do material e com os muitos efeitos que podem ser alcançados com a aplicação do aço inox apresentado nestes pequenos formatos.
As possibilidades de combinação de diferentes texturas ou cores do material acabam por criar superfícies que apresentam uma espécie de ‘brilho complexo’ uma vez que, a cada momento, a cada situação de luz, a cada passo do observador, elas se apresentam de um modo novo.
Materiais com grande potencial expressivo são importantes instrumentos no ofício da Cenografia. E, se no meu exercício de trabalho, tudo acaba sendo pensado como Cenário, é bom poder contar com um material que me permite levar estas qualidades para o contexto da Arquitetura, propriamente dita.
Gostaria de destacar, ainda, a receptividade que sempre encontrei na Mozaik e o grande interesse que a empresa alimenta por incentivar Projetos especiais.
Fale um pouco sobre seus projetos atuais e futuros.
Poderia destacar, neste momento, o desenvolvimento da Cenografia para o Jornalismo da Rede Minas e a estréia do espetáculo “O Círculo do Ouro” (Grupo Ponto de Partida) onde respondo, com Tereza Bruzzi, pelos Cenários e Figurinos.
Logo em seguida, inicia-se o desenvolvimento da Museografia para uma Exposição, iniciativa da Companhia Vale do Rio Doce, onde se pretende contar a História de Itabira pela ótica dos seus moradores.
Pela abrangência do meu território de atuação, a cada momento me vejo num contexto novo, numa circunstância nova. E é o ritmo dinâmico desse cotidiano que me move e me motiva o trabalho.

