A Mozaik é reconhecida por ter em um de seus sócios, Rogério Marques, a imagem associada a tudo o que acontece na empresa. Desde a concepção do que ele denomina Projeto Mozaik até o relacionamento com o cliente final, a marca se confunde com seu criador. Para conhecer a empresa, nada melhor do que um bate-papo com o engenheiro metalúrgico que resolveu dedicar sua vida a imprimir ao mundo contemporâneo seu olhar, sua cores e formas: tudo isso tendo as variações e possibilidades do aço inox como suporte.
Qual foi a primeira idéia da Mozaik? Quando surgiu a empresa e por quê?
Trabalhando como sócio e diretor da Inoxcolor, única fábrica de inox colorido da América Latina, percebi que o produto apresentava diversas possibilidades de aplicações que não eram aproveitadas, até porque a grande maioria das pessoas não sabia da sua existência. A motivação era expressar na arquitetura, no design, nas artes e na moda as propriedades únicas desse material e o seu conteúdo artístico. Queria colocar o inox e os metais ao lado dos demais revestimentos, usando os mesmos canais de distribuição. Isso aproximaria os metais das pessoas e eu conseguiria reunir a engenharia metalúrgica, minha graduação, a um desejado vínculo com a arte e o design.
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Quais as áreas de atuação da Mozaik?
Atuamos principalmente na arquitetura, com a produção de revestimentos pré-fabricados de inox, nas artes plásticas, produzindo obras e instalações e no design, tanto de moda, quanto de interiores e algumas vezes na área de design de produtos.
A Mozaik já surgiu ancorada no atual tripé arte, design e tecnologia ou esse foi um caminho trilhado a partir das experiências da empresa?
A tecnologia – ou seja, o saber como fazer – sempre foi a mola-mestra da Mozaik, mas o projeto nasceu principalmente da minha demanda por expressão. Apesar de ter uma formação acadêmica extremamente técnica, sempre tive uma ligação muito forte com as artes e com o design. Devido ao interesse destes setores pelo meu trabalho estreitamente ligado à coloração do inox essas relações se aprofundaram. Em uma das primeiras coleções do Ronaldo Fraga, por exemplo, ele usou fragmentos de inox colorido como inspiração para um dos mais premiados modelos que criou (Prêmio Santista) e nesse tempo o produto só existia em laboratório. Outro exemplo vem das artes e da minha relação com a Ana Maria Tavares. A artista é o retrato dessa interação, pois ela construiu um paralelo muito forte entre a arte e a arquitetura ao longo de sua carreira. Na primeira obra que fizemos juntos, ela queria do inox colorido certos efeitos que ainda não existiam: chapas com duas cores que permitissem a inscrição de palavras que mantivessem a continuidade visual do metal colorido, ou seja, nada de pintura ou adesivos. Trabalhamos em parceria e o resultado foi City Scape, obra apresentada na edição comemorativa da Bienal de Arte de São Paulo, em 2001. Em obras posteriores, Ana fez uso de azulejos e pastilhas de inox colorido, primeiros produtos de arquitetura da Mozaik. Mas utilizou-os de forma revolucionária, para expressar suas intenções artísticas. Em contrapartida, nossa coleção 2009 faz uso de partes de ferramentas e formas desenvolvidas por nós para um dos recentes trabalhos dela. Em 2008, a artista desembarcou no Japão com imensas vitórias-régias feitas a partir de pequenas pastilhas triangulares de inox colorido.
Os artistas nos procuram para criar soluções técnicas e elas são sempre multidisciplinares: engenharia, materiais, tratamento de superfícies, química, mecânica e design. À medida em que desenvolvemos alguma técnica ou solução para as artes, muitas vezes criamos novos produtos destinados a outras áreas que se apropriam disso. Na verdade, as coisas acontecem simultânea e reflexivamente. Os novos produtos surgem a partir das técnicas que os viabilizam. E o contrário também acontece: após a criação de um produto, percebemos que um artista se apropria dele, o modifica, faz suas interferências e o conceitua, criando a partir daí uma obra de arte.
Respondendo à pergunta, a Mozaik nasceu com este tripé, mas somente o percebeu e se apropriou dele efetivamente a partir do diálogo proporcionado pela experiência multidisciplinar, filosofia de criação e desenvolvimento na empresa.
Existe um marco na empresa, algo determinante para que ela tenha hoje a identidade que tem?
Quando começamos a executar vários projetos de artes plásticas e, simultaneamente, abrimos diversas revendas para nossos produtos de arquitetura, foi possível assumir que éramos um mosaico de atividades que se alimentam e se inspiram mutuamente. Isso aconteceu entre 2004 e 2005. O sucesso dos empreendimentos daquele tempo me trouxe a autoconfiança suficiente para perseverar no projeto da Mozaik. A partir daí, deixamos de ficar somente com o aço inox como matéria-prima e nos permitimos ingressar nas artes e no design de forma mais abrangente.
Quais são os diferenciais que a Mozaik oferece para o mercado? Qual é o produto carro-chefe?
Quase tudo o que fazemos é exclusivo, salvo alguns produtos que já foram copiados por outras empresas como seria natural na lógica de mercado. Mas traduzindo em elementos palpáveis, a impecabilidade no acabamento e na qualidade são quase ‘neuroses’ dentro da empresa. Na arquitetura, os carros-chefe são, sem dúvida, as pastilhas de inox. No entanto, todos os produtos são de alguma forma complementares, por isso creio que haja uma divisão saudável no ranking de vendas entre os itens.
Quais são os seus principais parceiros e como é a atuação da Mozaik no mercado interno e externo?
Nossos principais parceiros são, sem dúvida, nossas revendas, afinal, elas são a nossa cara e a nossa voz diante do cliente final. Temos também excelentes relações com diversos fornecedores, como a Arcelor Mittal e sua distribuidora Inox-Tech, entre muitos outros. Quanto ao mercado, trabalhamos sempre para desenvolver e fortalecer distribuidores com estoques locais, que atenderão às revendas de sua região ou país. Temos distribuidores que atuam em seus países e em suas regiões de influência nos EUA, Portugal, Colômbia e Costa Rica.
