Perfil

Qual a sua relação com as artes plásticas? Como se dá o desenvolvimento do seu trabalho com o artista? Como é o processo de criação e de produção nesses casos?
Cada trabalho é sempre muito peculiar e muito dependente das características do artista, da complexidade e grau de dificuldade da execução. Alguns artistas trazem projetos definidos e absolutamente detalhados, deixando para a Mozaik o planejamento e a execução. Em outras situações, partimos de uma idéia, de um esboço ou de um protótipo. Desenvolvemos a idéia e apresentamos soluções. Tudo isso não deixa de ser criação, mas um tipo de criação específica e diferenciada dos processos de criação e conceituação característicos do artista e do próprio conceito de arte contemporânea. Sinto-me muito realizado cada vez que executo um desses trabalhos e acredito que a Mozaik como um todo se orgulha de produzir arte contemporânea de qualidade. Acredito na função reflexiva e transformadora que podem exercer as artes de maneira geral.

Percebendo sua incursão nas artes plásticas e também a constante produção de acessórios e artigos para desfiles e eventos de moda, podemos falar que a Mozaik hoje abarca segmentos que privilegiam a estética e a inovação e, sobretudo, a originalidade. Como você convive com todos esses universos paralelos, se pensarmos que, originalmente, você trabalha com revestimento?
Algumas vezes isso se torna um tanto complicado, principalmente no campo da moda, que é volátil. Isto porque no dia-a-dia temos compromisso absoluto com a demanda da arquitetura, com nossas revendas e conseqüentemente com seus clientes e prazos, que são em última análise, nossos clientes finais. Contracenamos em um mundo competitivo, onde a qualidade é uma obrigação. E por qualidade hoje podemos entender atendimento, eficiência, ética, agilidade na solução de problemas e, porque não, preço compatível de mercado. Muitas vezes, uma produção de arte, de moda ou design exige muito de toda a equipe, já que os desafios são grandes e  os prazos, geralmente, quase impossíveis. Ronaldo Fraga certa vez me disse que o ano dele tem três meses,  período de cada estação. Ainda bem que a Revestir é anual, apesar de achar que o ideal seria que fosse bianual. Mas estremeço ao pensar no empobrecimento de nossos processos de desenvolvimento se tivesse que escolher entre uma coisa ou outra. Prefiro ser uma coisa e outra.

O que te inspira na criação de novos produtos? Você parte das coleções já lançadas ou tem por princípio a idéia de que é preciso inovar sempre?
Seria hipócrita dizer que não estamos todos sujeitos a influências. Somos frutos de um mosaico de experiências e isso reflete no trabalho da Mozaik: uma obra de arte,  uma obra arquitetônica, uma tecnologia recente, uma música, uma jóia, uma roupa, uma conversa de botequim, uma viagem, um produto ou uma forma genial criada por alguém. Tudo é fonte de inspiração. A compulsão pelo novo existe, mas acho um pouco pretensiosa. Às vezes, vale a ignorância e a ilusão de pensar que ninguém nunca fez ou pensou nisso ou naquilo. Cada vez mais acredito no que o Jung chama de inconsciente coletivo. Porém, a interpretação pessoal desses estímulos é muito particular, de forma que conseguimos criar algo a partir do que gostamos. Eu gosto do que me emociona.

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