Perfil

Fale um pouco sobre o conceito da nova coleção inspirada nos anos 70, projeto para a Revestir 2009. Como será a ambientação do estande? De quem é o projeto?
O interesse pelos anos 70 veio inicialmente da música. Os discos da fase Racional de Tim Maia e sua banda Vitória-Régia, tocaram muito em minha casa no ano de 2008. A biografia de Tim foi devorada em poucas horas. O CD Back to Black de Amy Winehouse, com suas referências ao funk e ao soul, quase derreteu no som do meu carro. A black music e o som disco vindo de vinis dos anos 70 embalou parte da minha festa de 40 anos, completados no ano passado. A isso, soma-se uma exposição de Karim Rashid, vários filmes do Tarantino e muitas conversas sobre a repressão política com a designer Simone Carvalho, que por esses e outros motivos também revisitava a década. Trata-se de um período muito diverso e rico de acontecimentos políticos, econômicos e culturais. Às vezes me parece que os anos 70 não foram somente uma década, foram várias décadas sobrepostas.A partir daí, surge a coleção, com seus elementos e grafismos: ampliamos a Linha Retrô, produzindo novas texturas para seu visual já psicodélico, utilizando o lixamento localizado em quase todas as peças para produzir efeitos que se modificam conforme a iluminação e o ângulo de observação. Motivos geométricos puros ou transformados em curvas suaves quase florais se tornaram os elementos gráficos presentes em produtos para pisos e paredes. Como o inox tem superfície especular, a impressão que se tem é que um se reflete no outro e que o desenho flutua diante do observador que não tem certeza de onde vem a imagem.  Fizemos também uma releitura de azulejos hidráulicos para a Linha Hidraulik P&B.

As inesperadas pastilhas triangulares utilizam substrato feito com chapas de plástico e celulose reciclados e foram desenvolvidas para a obra Vitória-Régia, de Ana Maria Tavares, e posteriormente incorporadas à coleção, tanto na forma de placas de revestimento quanto na composição das faixas de acabamento da Linha Teorema. Já os tozettos e apliques, na forma de mandalas, nos remetem ao ideário hippie e à influência da religiosidade oriental. O movimento punk foi referência para a Linha MP,listelos perfil com relevos que lembram os hoje clássicos cintos de tachinhas popularizados por este cenário. O início do uso comercial do código de barras e toda controvérsia a respeito da sua utilização é reverenciado nos listelos palito que apresentam grafismos paralelos e complementam a linha. O álbum The Wall do Pink Floyd foi inspiração para a Linha Brick: pastilhas 3 x 3 cm montadas na disposição de tijolos.

Para o estande, os designers da Mozaik Simone Carvalho e Wander Guimarães iniciaram os desenhos partindo dos elementos geométricos de inspiração setentista e das próprias linhas que remetem à essa década.  Desenvolvemos as idéias até que surgiu, inevitavelmente, uma pista de dança. Resolvemos usar vidros no piso, cobrindo caixas com iluminação colorida, numa referência direta aos Embalos de sábado à noite e ao indefectível John Travolta. Usaremos projetores computadorizados que, através da projeção dinâmica de imagens sobre nossos revestimentos, criarão o clima de festa. As imagens projetadas são ícones – geladeira, máquina de lavar, pia e banheira – que simbolizam alguns dos locais típicos para a aplicação dos produtos da Mozaik em uma residência. Para a tranqüilidade de nossos visitantes, projetamos também um lounge para conversas, negociações e também para uma pausa relaxante.

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Qual sua expectativa para a segunda participação da Mozaik em uma das maiores feiras de revestimento do mundo?
Sempre há uma angústia em conseguir a receptividade do público.  Mas é preciso acreditar que estamos fazendo o melhor para atingir a envergadura do evento. Vamos apresentar uma proposta divertida e de grande impacto visual. Espero que o público aceite “dançar” no nosso ritmo e no embalo de nossa música.

Como você prepara a Mozaik a cada novo desafio?
Uma das minhas maiores preocupações no dia-a-dia é a manutenção de um clima organizacional saudável. Nosso maior patrimônio são as pessoas, disso eu não tenho a menor dúvida. Acho que quando as pessoas sabem onde estão, o que se espera delas e, quando elas conseguem prever o que podem esperar da empresa, já que conhecem sua filosofia e seus objetivos, metade do caminho já está percorrido. Por isso, fazemos nosso planejamento estratégico (Plano Diretor) anualmente e o divulgamos para todos os níveis.

Como é o trabalho de reciclagem de idéias na equipe da Mozaik?
Procuro estimular o pensamento crítico na empresa. Temos uma filosofia que trata cada setor como cliente e fornecedor de outro dentro da cadeia de trabalho e com isso mantemos aberto o espaço necessário para a proposição de novas soluções. Prova disso é que um dos produtos que vamos lançar em 2009 foi criado por um funcionário da produção que apresentou sua idéia na empresa. Aprovamos a confecção de protótipos e estes foram imediatamente aprovados para fazerem parte da ampliação da Linha Retrô. O funcionário será premiado após o evento. Isso me deixa orgulhoso, todos se sentem motivados para criar e nosso trabalho mantém a força de equipe que tanto acredito.

(a versão completa da entrevista você confere aqui).

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