No contexto da acessibilidade, quando falamos de contraste, estamos lidando com pessoas de baixa visão, já que para um cego, o contraste definitivamente não faz sentido. O conceito de baixa visão pode ser bem entendido no site do Instituto Benjamin Constant. Na orientação e mobilidade, necessitamos ver formas críticas de baixo-contraste como o meio-fio e degraus da escada, por exemplo. No trânsito, várias situações estão em nível baixo de contraste, como enxergar ao anoitecer e durante a noite, na chuva, no nevoeiro. Grosso modo, nossa sensibilidade ao contraste está associada à nossa capacidade de distinção claro/escuro.
Intuitivamente muitos tendem a pensar que o contraste está diretamente relacionado às cores. Na verdade, até mesmo porque várias patologias visuais impedem que a pessoa faça boa distinção entre cores, o contraste é criado pela diferença em luminância de duas superfícies adjacentes, ou seja, na quantidade de luz refletida por cada uma destas superfícies. O contraste pode ser medido de diferentes formas. Em trabalhos clínicos, usa-se normalmente a fórmula de Michelson:
Contraste = (Lmax – Lmin) / (Lmax + Lmin)
onde Lmax indica a luminância da superfície mais clara e Lmin a luminância da superfície mais escura.
A Norma Australiana 1428, que trata de acessibilidade utiliza no denominador a luminância média das duas superfícies:
Contraste = (Lmax – Lmin) / 0,5(Lmax + Lmin)
O contraste é em geral expresso em porcentagem e o resultado da fração é então multiplicado por 100. Desta forma o contraste máximo é 100%.
TEORIA DA COR
Existem países onde as normas de acessibilidade detalham métodos numéricos para determinação do contraste. Para isso utilizam escalas cromáticas e algorítimos matemáticos baseados na teoria da cor, capazes de determinar com precisão o contraste entre materiais. Por exemplo, a norma australiana AS 1428.2:2002 estabelece em seu Apêndice F uma fórmula para cálculo do contraste, utilizando a escala cromática CIE Y x y.
Uma representação tridimensional desta escala é mostrada na figura ao lado. Por simplificação, podemos entender a variável Y como “refletância luminosa” ou, em outras palavras a propriedade claro-escuro de uma cor. Intuitivamente, Y=0 corresponde ao preto total e Y=100, corresponde ao branco total. As demais coordenadas estão associadas à tonalidade e saturação, de acordo com equações que consideram a sensibilidade do olho humano para as três cores básicas e seus respectivos comprimentos de onda. Essa sensibilidade denominada tristimulus, conduz a sistemas matemáticos tridimensionais (chamados espaços de cor) capazes de determinar uma cor com precisão. O sitema CIE Yxy é um desses sistemas conhecidos como espaços cromáticos e é utilizado nas normas australianas, por exemplo.
MEDIDAS DA COR E DO CONTRASTE
Para a correta medida da cor em qualquer espaço cromático, é necessário um espectrofotômetro calibrado (colorímetro), com geometria e iluminante adequados. No caso da Norma Australiana, o iluminante requirido é o D65 com ângulo do observador de 2 graus e o instrumento deve ter geometria 45/0, devidamente calibrado para a escala CIE Yxy (Commision Internationale L’Eclairage).
Existem diversos fabricantes de equpamentos adequados para este fim. Ao lado uma imagem do equipamento utilizado para as medidas constantes na tabela abaixo, produzido pela BYK-Gardner.
TABELA DE SELEÇÃO DE MATERIAIS
A Tabela abaixo mostra o contraste entre elementos táteis Linha Dome em relação a diversos substratos, secos e molhados. Os valores em vermelho indicam contraste inferior aos 45% aceitáveis (<0,45) de acordo com a Norma Australiana. As regiões hachuradas em amarelo indicam materiais que não devem ser combinados. Notar que em alguns casos o contraste sofre diferenças significativas entre o mateis seco e molhado. Para os produtos compósitos de inox e PU devem ser feitas medidas proporcionais.
Tabela com medidas do contraste sinalização tátil
GRÁFICO LIMITES DE REFLETÂNCIA
Abaixo um gráfico ilustrativo mostrando os limites de refletância requeridos para elementos táteis, em função da refletância do piso adjacente, baseado na Norma Australiana AS 1428, que exige contraste mínimo de 45% para elementos táteis discretos. Medidas da refletância luminosa de amostras de elementos táteis da Linha Dome-Mozaik, foram plotados nas linhas correspondentes à refletância de um piso de Granito Cinza Castelo, seco e molhado.
Os resultados mostram que os elementos PU cinza e Inox, não apresenta contraste suficiente em relação ao piso de Granito Cinza Castelo Seco. Já quando este piso está molhado, ambos saem da faixa inaceitável e o elemento PU Vermelho, passa a apresentar contraste insuficiente. Os demais produtos encontram-se dentro da faixa de tolerância da Norma em ambas as situações. Para efeito de projeto e especificação, muita atenção deve ser dispensada para a questão do piso seco ou molhado. Somente em situações de extrema segurança, em áreas internas, uma das situações pode ser negligenciada, ou seja, onde o piso garantidamente nunca seja utilizado quando molhado. Para áreas externas sujeitas à ação da chuva, se o contraste em qualquer uma das situações for inferior a 45%, os materiais não devem ser utilizados combinados. Notar também que alguns tratamentos de impermeabilização e selagem, alteram definitivamente a cor de certas pedras naturais, tornando-as praticamente inalteradas quando submetidas a umidade. Alguns tipos de pedras, cerâmicas e porcelanatos sofrem alterações quase imperceptíveis em sua cor, quando molhados e este fato deve sempre ser considerado para a sinalização tátil.
Fotografia dos elementos táteis aplicados sobre uma amostra de Madeira Ipê Seca. Notar que o elemento de inox mimetiza as cores ao seu redor – refelexos das cores nas laterais de inox – o que não pode ser medido pelo espectrofotômetro. Esta característica o torna um material mais contrastante na prática do que em laboratório. Por esse motivo a medida feita em laboratório, muitas vezes é substituída na Austrália, por medidas feitas em campo, utilizando-se equipamentos calibrados para este fim, uma vez que consideram este tipo de característica, além de considerar também as condições de iluminação do local. No exemplo da foto acima – com a madeira seca – voltando à Tabela de Seleção, podemos ver que o somente o elemento vermelho não apresenta contraste suficiente (<0,45). Já com a madeira molhada, os elementos preto e azul ficariam fora da faixa de tolerância. Em termos práticos, estes elementos somente poderiam ser utilizados caso seguramente o piso de madeira definitivamente não seja utilizado quando molhado. Para uma especificação segura (ambas as condições) os elementos preto, azul e vermelho devem ser evitados.
Para acessar este documento na íntegra acesse: http://www.pisostateis.com.br/pdf/Especificacoes_Tecnicas.pdf
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