Arquivos de tag para 'Transpirações'

Vejo flores em você

A década de setenta teria sido totalmente diferente no Brasil caso o movimento hippie não tivesse pegado por aqui: nessa época ele já está em decadência em algumas regiões dos EUA, mas é nos 70 que o ideário hippie vinga na nossa cultura: contra tudo o que estava vigente, contra a violência explícita, contra o capitalismo e favor da paz, da criatividade, da expansão da mente, da música, do amor, da vida. Nossa cultura, ainda hoje, é rodeada por ícones e símbolos desse movimento e dos seus desdobramentos (como a flower power): volta e meia a moda revisita calças, cores e adereços  próprios dos meninos e meninas da Geração Woodstock e o cinema não se cansa de tratar do tema.

mandalas

(esquerda pra direita) Tozeto Núcleo; Mandala Vitória; Tozeto Célula

Transportar essa referência para o design de acabamento e de produtos foi a idéia para a linha Mandalas, que ficou elegante e sofisticada na medida certa. Os tozetos são versáteis e podem ser aplicados em combinação com outras linhas; a Mandala Vitória fala por si, linda, imponente e trabalhada com pastilhas de aço inox triangulares e quadradas com acabamentos diferentes que garantem efeitos visuais bacanas. A gente, do blog da Mozaik, também quer mais paz no mundo – como queriam os hippies – e fica louco pra ver essa peça numa parede. De preferência, colorida!

Namorada insólita ou all the lonely people

Uma velhinha que mora na minha rua sempre me causou um misto de simpatia, curiosidade e aversão. Ela anda devagar, com passinhos curtos e meio inseguros. Faz aquele tipo que a gente só vê na roça. Mulher com bigode, barba, óculos grossos e linguajar um pouco chulo. Costuma estar na porta da garagem quando saio pela manhã, esperando uma chance de entrar e conversar com a costureira que tem um atelier no porão. Não sei se ela não se arrisca a chamar, não sei se a costureira finge não escutar, não sei se ela chama em tom muito baixo. Fato é que muitas vezes, quase sempre atrasado, fico um pouco impaciente e sem graça de abrir o portão, esperar com que ela me dê espaço para abrir as abas de aço que fecham a calçada, dando seus curtos passinhos em marcha-ré e, depois permitir sua entrada sem ter autorização da costureira. Às vezes acho que ela fica me esperando. Talvez para entrar sem autorização… não quero pensar em outros motivos…

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Somos ghost artists?

Me aproprio do já conhecido termo ghost writer para explicar  – com um pouco de analogia e um tanto de antagonismo -  nosso funcionamento em alguns casos das artes visuais. Ghost writer (escritor fantasma, em português) é a expressão inglesa que designa o profissional de alto nível técnico, especializado em prestar serviços de redação de textos a outras pessoas que não têm tempo ou habilidade para escrever.O ghost writer trabalha silenciosamente, recebe sua remuneração e depois desaparece para sempre (daí a designação de fantasma) mantendo inviolável o segredo de sua participação naquela obra. A propriedade intelectual da obra fica para a pessoa que o contratou e pagou por seus serviços.

Guardadas as enormes diferenças, a Mozaik se assemelharia ao que poderíamos chamar de Ghost Artist em algumas situações. Produzimos para artistas que muitas vezes não dispõem de tempo e/ou recursos tecnológicos para a produção. Por exemplo, executamos projetos, onde o artista ,residindo ou estando fora do país durante o período de produção, somente vê sua obra na montagem ou na abertura da exposição. Partindo às vezes  somente de um esboço, uma maquete  ou tão somente uma idéia. E isso de maneira alguma tira o mérito do artista. Ao contrário porque, é somente sua a conceituação teórica. Mesmo que a produção, com suas limitações e características, interfira com a questão formal. Obviamente existe muita interação durante o processo de produção, já que nossos meios de comunicação assim o permitem.  Leia mais >